domingo, 19 de outubro de 2014

Educação, fé e política



Leonardo Sampaio

Assisti um vídeo https://www.youtube.com/watch?v=6Qln88pzEHU do grupo carismático Canção Nova, em que o Padre faz um discurso homofóbico, na hora do sermão, enfatiza ainda, nas entre linhas, a Dilma Rousseff quase como satanás, e um dos argumentos é o comunismo, como se ela esteja querendo implantar no Brasil. Nossa senhora, me arrepiei todo com a ignorância, o Padre pregando o ódio, jogando as pessoas contra o projeto do PT, o projeto de distribuição das riquezas que vem melhorando as condições de vida dos pobres. Faz vergonha ter uma pessoa daquela se dizendo cristão, se achando representante da Igreja e da divindade santa e o pior se dizendo sabedor das coisas, é nítido que o moço, é alguém que não estuda, não se aprofunda nem no que vai dizer e sai falando besteira na frente de um altar como se fosse dono da verdade e ainda diz que está inspirado por deus, pra mim é apenas o deus dele, odiento, raivoso, homofóbico, anti Cristo.
Por causa disso, procurei conhecer a origem dessa instituição religiosa da Igreja Católica, tão retrógrada, conservadora e defensora dos projetos políticos de acumulação de riquezas nos moldes capitalista, que é um modelo contrario aos princípios cristãos, porque prega o egoísmo, a ambição, o acumulo de riqueza e pratica a exploração do homem, sobre o homem e a destruição da natureza. Na minha pesquisa, descobri que ela nasceu nos Estados Unidos, com uma linha religiosa pentecostal e de doutrina carismática, assemelhada ao protestantismo evangélico americano, uma espécie de evangélico com Maria, dentro da Igreja Católica.
A partir dessa descoberta, procurei saber o que motivou ela e os demais movimentos carismáticos e evangélicos ambos pentecostais a se multiplicarem tão rapidamente no Brasil, a partir da década de 1990, e nessa pesquisa conheci o documento chamado Santa Fé, que tem como objetivo enfrentar uma espécie de represália à Igreja da Libertação e as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs e decretar o fim da Teologia da Libertação, por essa, pregar o Cristo Libertador, um Jesus que trás a ideia que tudo feito pelo Criador seja comum a todos, proposta que se alinha ao comunismo, como é a vida dos primeiros cristãos (Ato dos Apóstolos) como o modelo socioeconômico, onde “todos trabalham, produzem e distribuem as riquezas e a produção de acordo com suas necessidades”, o que significa o mesmo projeto do Reino de Deus, o Reino com uma sociedade de igualdade, justiça, fraternidade, humanização e preservação do planeta.
Foi esse o Projeto apresentado por Jesus Cristo e por causa dele foi condenado e assassinado com aval do povo, gritando, mata-o, mata-o, ..., em assembleia popular. Jesus nessa ocasião ficou apenas com sua mãe, uma prima e alguns poucos seguidores, o que não quer dizer que o projeto apresentado não seria o melhor pra humanidade e o planeta. Já que ao contrario dos assassinos que representam o egoísmo, a ambiciosos e acumulação de riquezas.
Por incrível que pareça, a inspiração de escrever sobre esse tema, nasceu ao ouvir dentro da escola as diversas opiniões sobre a Dilma e o Aécio onde um professor de linha carismática evangélica com Maria fica perguntando qual é o projeto da Dilma, então entreguei-o o projeto para a educação e o mesmo não quis nem lê, apenas colocou de lado, uma professora se dispôs a lê, mas logo ouvi a interrogação: E o comunismo? Alguém falou “Leonardo é comunista!” e de imediato acrescentei “Sou comunista cristão, por dois motivos: Um, porque o projeto sociopolítico que Jesus Cristo nos apresentou é de uma sociedade comunista, da forma como está na Bíblia, no ato dos apóstolos, e o segundo, é o Reino de Deus que é a essência do comunismo, onde tudo é comum a todos e não tem ricos nem pobres, todos são iguais, e é lá, onde se pratica a justiça, a fraternidade e o amor humanitário e universal a todas as formas de vida”.
Ao final, os comentários foram sobre o comunismo e ficou notório a necessidade de se conhecer com mais profundidade o tema, já que, o que se tornou visível ao povo, são os estados totalitários e o desvio dos princípios marxista na relação sócio-político-economico de uma sociedade socialista. Mas também concordo que, esse tipo de Igreja que desconhece o Reino de Deus, o Cristo Libertador e cria sua própria doutrina conservadora, olhando para o mercado, o consumo e com shows mirabolantes em nome de deus, é “ópio do povo”, (Karl Marx).
 Com isso concluo que, o meu Deus, não é o mesmo dele, e que pode haver muitos deuses, como disse D. Aloísio, em um encontro de Forania: “Cada qual pode criar um deus pra si, conforme seus interesses”.

19/10/2014